O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta terça-feira (9) que o Ministério Público “não vê qualquer motivo que justifique a prisão domiciliar” neste momento do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM). Segundo Gurgel, as condições em que Arruda se encontra preso na Polícia Federal, em Brasília, “são adequadas e dignas para o cargo que ocupa”.
“Se essa prisão for transformada em domiciliar, a prisão será inútil, ou seja, ele terá todas as condições de continuar tentando influir na produção da prova”, disse Gurgel em entrevista exclusiva à TV Globo. Nesta segunda-feira (8), o advogado de Arruda, Nélio Machado, disse ao G1 que não pensava "no momento" em pedir prisão domiciliar de Arruda.
O procurador afirmou que não vê a necessidade para que o governador recebesse tratamento de seu médico particular enquanto estiver preso na PF. “A PF tem nos informado que ele está contando com assistência permanente de um médico, que o tem examinado diariamente. E pelas informações da PF, também não há nada que justifique que ele seja examinado por outro profissional”, declarou.
Apesar do ponto de vista do procurador, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acabou concedendo na tarde desta terça o direito de Arruda ser assistido por seu médico na Superintendência da Polícia Federal.
Gurgel afirmou também que as informações da Polícia Federal sobre reuniões do governador com seus advogados são de que elas têm sido feitas respeitando-se o sigilo nas comunicações, previsto em lei. Advogados de Arruda reclamaram ao STJ de que têm de realizar reuniões a portas abertas com Arruda na sala onde ele está preso.
Intervenção
O procurador-geral declarou que continua “absolutamente convencido da necessidade da intervenção” no Distrito Federal. “Estou examinando detidamente todas as alegações. Como já disse numa oportunidade ao ministro Gilmar Mendes [presidente do Supremo Tribunal Federal], este é um assunto que demanda toda a prudência e toda a serenidade.”
Segundo Gurgel, todos os motivos alegados pela Procuradoria Geral da República para o pedido de intervenção continuam válidos. “Me parece que subsistem todos aqueles motivos, digamos, relacionados no pedido de intervenção e que podem ser resumidos no seguinte: o Poder Executivo e o Poder Legislativo do Distrito Federal se apresentam verdadeiramente contaminados pelo esquema criminoso que é objeto do inquérito 650 em curso no Superior Tribunal de Justiça.”
O inquérito 650 investiga o suposto esquema de corrupção no Distrito Federal. De acordo com a investigação, iniciada pela operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, Arruda seria o chefe de um esquema de arrecadação e distribuição de propina que envolve o primeiro escalão do governo do Distrito Federal, deputados distritais e empresários.
Fonte: Do G1, com informações da TV Globo
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